look at my depression

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See, that’s what the app is perfect for.

Sounds perfect Wahhhh, I don’t wanna

Eu preciso de licença poética.

Preciso falar de uma mulher que eu conheci, e para isso, eu preciso de nada mais do que licença poética. Preciso de licença poética, porque isso significa escrever sobre o que não existe, o que não é comum, o que foge do padrão, assim como essa mulher, cujos traços de personalidade e existência me fogem totalmente de tudo que um dia eu conheci. Minha tarefa é quase impossível, pois eu não sei descrever uma coisa tão única com palavras tão repetidas. Todos os adjetivos já tem seus significados, o que me leva quase a crer que o valor tão singular dessa peça de paraíso necessite de um próprio pra descrever sua própria magnanimidade. Preciso descrever uma beleza cujos traços fogem da subjetividade da estética, prendendo-se apenas a aglomeração perfeita de cada átomo no lugar certo, para formar uma cadeia conjugada de sensações que tenho ao passear meus olhos por cada centímetro de extensão desse ser tão belo. Preciso arguir sobre o coração de ouro de uma pessoa cuja definição de suas virtudes é tão absoluta que baseia os dicionários que as querem defini-las. Preciso divagar com a frieza de disposições simbólicas a calorosidade do abraço mais gostoso do mundo.

Como explicar  uma existência que quase parece utopia, se esta é feita dos mesmos elementos químicos que me compõe ? Levo-me a crer, portanto, que a coexistência desses estão em total desavença da dos meus. Ela se organiza na natureza com a cumplicidade biológica da própria lei áurea tecendo suas frações exatas no código nucleico de seu ser. Essa mulher é perfeita na mais abstrata definição da palavra, pois a própria ideia de perfeição atuando num ser parece tão incrédulo quanto a formação da imagem desse ser todos os dias em minha retina. 

De acordo com a teoria memética, tudo que existe é apenas resultado de outras peças já existentes que se juntam para formar uma coisa mais complexa, mas ainda assim já conhecida. Acho que quando eu te conheci foi justamente quando eu deixei de acreditar nessa teoria. É fato que essa mulher é realmente feita de coisas que já existem, mas são coisas tão boas e tão raras, de tantas áreas diferentes, que me leva a crer que ela seja única e nova no que se propõe a fazer. X, você é única justamente porque é feita de todas as coisas boas que eu já conhecia, e ao confluir tudo isso numa única pessoa, o resultado é uma coisa que antes eu pensava que existia apenas em sonho, mas que depois de te conhecer, eu percebi que não só realmente existe, como também me deixa fazer parte de sua existência.

Eu sou apaixonado por você.

Me desculpa.
É sério, de verdade.
Não sei por onde começar tampouco por onde terminar. Eu só não consigo imaginar a ideia de te machucar.
Cada célula minha se agonia. Minha mente sucumbe, floreia nos mais incessantes pensamentos e probabilidades de você me odiar muito ou pra caramba agora, como se nada mais no mundo importasse senão o fato de que eu fiz alguém que eu amo ficar triste.Eu tentei superar isso como você pediu, mas todas as forças do meu corpo confluem para esse momento, o momento que eu abro minha alma e choro as palavras do garoto frágil que eu sempre fui.
Eu não consigo lidar com esse fato.
Eu não consigo acertar sempre. Eu nem ao menos consigo acertar na maioria das vezes, o que é horrível, porque eu tento sempre, mas eu fico extremamente mal ao saber que eu não tenho o nível de reciprocidade contigo que eu sempre reclamei de não receber das outras pessoas.
Você não tem ideia do quanto significa pra mim. Eu te conheço faz tão pouco tempo, mas eu te amo. Eu sinto como se você me entendesse. Eu sinto como se não sentisse vergonha da minha voz quando abro minha boca pra falar com você. Eu sinto como se meus ideais importassem quando eu os compartilho contigo.Não sinto vontade de rasgar minha pele quando eu te abraço, porque a ideia do teu toque correndo meus pulsos nervosos é extremamente agradável.

Eu me sinto útil, importante, amado.

E é justamente por isso que eu não quero te perder. E eu tento traduzir em palavras a dor que foi te magoar, a tensão que foi suportar isso e o inferno que está sendo lidar com essa verdade. Tento transferir a versos decassílabos todas as lágrimas que escorreram de meus olhos e o sangue que manchou minha lâmina, sedenta por justiça, porque o que eu fiz contigo foi imperdoável
Eu sei que esse texto também está cheio de falhas, mas todos os meus textos são reflexos do que eu sou: cheio de falhas. E eu não quero que ele seja impecável, porque esse não seria eu. Eu só tento trazer o melhor de mim quando escrevo, e por isso que eu estou escrevendo sobre e para você, porque você é uma das melhores coisas que me aconteceram atualmente.
Por favor, me desculpa.

Eu espero que você possa me perdoar e possa me fazer feliz de novo. E que eu possa te fazer feliz de novo. Espero que no ano de 2019 eu ainda tenha essa pessoa do meu lado, tão incrível quanto ela foi em todos os dias que eu a conheci. E eu espero que no próximo ano eu consiga fazer textos decentes.

Feliz ano novo pra vocês. Triste ano novo pra mim, como sempre foram os anteriores.

Já chega.

A dor já é intragável.

Eu mesmo assumo que não mereço mais isso.

Quero morrer. Castigar minha alma e condená-la ao setor mais vil do inferno.Segmentar, cortar, fender todo o perímetro do meu ser.

Passeio docemente a lâmina pela extensão de meu braço, enquanto degusto a dor e danço compassadamente a canção do meu sofrimento.

Lágrimas da minha alma transpassam meus olhos e agregam-se homogeneamente ao sangue que incide ao piso. Meu corpo treme. Meus olhos lacrimejam. Minha pele arde. Meu espírito chora.

Ao passo que extirpo horrendamente minha carne com minhas grossas unhas, soterrando junto a esperança cada pingo de felicidade na minha própria cova e cravando em minha epiderme traços hediondos de socorro súbito, minha sanidade se esvai a medida que o calor de meu ser me queima e minha respiração ofegante me sufoca. Aos poucos deixo sequer de reconhecer em qual cômodo escolhi me desfazer de minha existência, e meus músculos não mais enviam pulsos nervosos ao meu lóbulo parietal.

Concentro minhas últimas forças voluntárias ao afeto do momento e na emoção que causa a anastomose entre tristeza, sangue e lágrimas, formando solvente preto que mancha e traça toda a linha do tempo da minha história e da minha vida. Submeto-me o reflexo da minha alma a loucura que espelha a retrospectiva de tudo que fincarei neste glorioso momento a gargalhar alto no ápice orgásmico que me cerca e me abraça consolando-me em solidão atemporal.

Minha consciência já não é mais reconhecida em meio a tanta insanidade e eu tampouco ainda me considero humano. O medo lentamente torna-se em satisfação e coragem, A dor metamorfoseia-se em prazer, e o sangue retoca com o pincel do delírio as últimas pinceladas do quadro mais incrível que eu já pintei.

Estive, durante todo o percurso de minha existência, triste.

Estarei, para todo o futuro posterior, morto.

Sou, enfim e por toda a eternidade, livre.

Descortino subitamente meus olhos,o clarão de luz causado pela sua presença chega a embaçar-me a visão.

Deparo-me com seus inquisitivos olhos encarando-me. Sei que você quer algo.

Você me olha, pensante.Seus lábios se mordem, num gesto de autocontrole. Você se aproxima de mim. Consigo sentir seu cheiro.

Meu toque grosso,com medo de transpassar-te, passeia pela extensão da sua fina pele, pressionando nos pontos que julgo necessário.Sua sinuosas e acentuadas curvas me hipnotizam e seu intoxicante perfume natural me sufoca. Seus cabelos perpassam e esbarram em meus dedos, acaricio-te com bombas de serotonina para causar-lhe o máximo de prazer que puder. Sua subsistência, tão perto de mim naquele momento, me causa agonia, êxtase. Sua boca, tão perto da minha naquele momento, me causa apetite.Quero te ter. Te consumir e possuir, e te fazer única durante o tempo que nossos dois corpos dançam no espaço vazio que há entre nós.

Quero te conduzir. Controlar você pela convexidade de nossas matérias,perscrutar cada átomo do teu ser e me apaixonar insanamente por cada partícula da tua existência.

Não consigo, nem mesmo por um momento, acreditar que eu finalmente te tenho.

Num ímpeto de apetência, meus lábios se jogam em contato aos seus.

E esbarram no frio lençol.

Descortino subitamente meus olhos, o feixe de luz solar os incomoda intensamente.

Em meus braços, nada mais que o frio lençol, cingido e ladeado com todas as forças no triste sonho que minhas mãos sonharam acreditar.

Em minha boca, apenas sabuloso gosto de um amor que nunca poderei saborear.

Em contato ao meu corpo, nada além da cama inanimada a qual estou jacente e do ar frio que teima em trinchar cada aspecto daquele momento.

E em minha mente, sua imagem imortalizada e atemporal, intangível e incontestável, de uma mulher que nunca esteve antes tão perto e tão longe dos meus braços.

Nunca a terei.

O cansaço da minha alma chega a escorrer pela minha epiderme.

Meu tecido epitelial já se desmanchou faz tempo. Minha carapuça pro mundo é hoje rasgada e mais parece um manto fino, de alguém que quer esconder sua verdadeira face mas de tanto tentar já desgastou a si mesmo o fazendo.

As lágrimas de meus olhos sequer incomodam a sensível pele de meu consternado rosto. O carbono da minha estrutura já não me susta, os átomos da minha matéria já não encontram mais sentidos para se aglomerar, e só o fazem porque não dispõem outra forma de coexistir senão assim.

Eu queria escrever mais coisas aqui, mas estou triste demais pra isso.

A cada momento de desabafo sobre metáforas, a cada devaneio e divagação depressiva que eu teorizo, um fragmento da minha alma vai junto, e aos poucos o quebra-cabeça da minha mente se desmaterializa sem completar-se e fazer-se compreensível. Tenho que escolher entre ser verdadeiro e continuar vivo.

É por isso que, quando escrevo aqui, estou aos poucos transferindo parte de mim pra imortalidade das palavras,conservando criogênica e eternamente minha consciência em linhas deprimentes, porque sei que minha inconstante existência é tão efêmera quanto a homeostase de meu corpo.

Desculpe-me.

Já faz muito tempo que eu me agonizo desse jeito.

Parece que eu estou enlouquecendo. Nada a minha volta parece normal, tudo é vazio. Caminhando pelas ruas sem propósito algum, passos mecanizados me transportam na fluência do trânsito das regélidas vidas humanas,achando que tudo já está perdido. Temendo por algo que ainda não consto, mas sei que existe.Temendo ser esquecido.Fito em volta, falo com alguém, mas ninguém me responde.

E, num súbito pulo de esperança, você aparece à minha frente. Caminhando contra o vento, desenervando-me,tonificando-me.

Eu grito pelo seu nome, e você não me escuta.Eu começo a me desculpar por tudo o que eu fiz e por tudo que eu for fazer, rogando para que você me perdoe, mas a indiferença estampada na sua expressão me faz temer por algo de errado. Vocifero, profiro palavras embonecadas para tentar consolar a dor que eu lhe fiz sentir, mas você parece não querer escutá-las.

Já desistindo de tudo e num ímpeto de suplício, eu abro meus cansados braços, jogo meu cansado corpo e o peso da minha consternada alma toda a você. Cinjo-a com minha culpa, esperando que, quando eu fechar meus olhos, sentirei seu peso em direção contrária ao meu,sustendo-me no escorregadio piso do mundo, apoiando-me contra o fardo de meus problemas, acoitando-me.

Porém, indo em contramão de todos os meus néscios pensamentos, meu corpo transpassa pelo seu e continua caindo. Como se o pilar que eu tanto necessitava tivesse caído antes mesmo de eu apoiar-me nele.Minhas esperanças se vão tão rápido quanto meu peso sendo puxado pela gravidade e se encontrando com o chão frio e factual. E,ao ruir no chão, finalmente compreendo o que eu sempre temi.Eu sempre estive morto, para todos.

Eu sempre fui um fantasma no mundo.

E agora, meu castigo é vagar e suplicar durante toda a eternidade o seu nome na minha muda boca.

E então, você me segura novamente.

No meio da inexistência, do vácuo ínfimo que me cerca e me rodeia, me abraçando e trazendo a minha visão nada mais que medo e escuro, eu vejo suas asas batendo incessantemente para segurar meu vil peso.

Você veio me buscar.

Sinto sua mão quente percorrendo e abraçando meu corpo, seus dedos brincando por toda extensão da minha pele, trazendo esperança pra este coração gelado.

Mas tudo o que é bom dura pouco.

Suas asas, apesar de lindas, são frágeis. Seu coração, apesar de imenso, é mortal. E você sabe que, se continuar na petulância de não me deixar cair, nenhum de nós dois aguentará. E ambos dançaremos no espaço vazio que perscruta o universo.

Eu grito, em vão. Minhas cordas vocais já estão gastas de tanto choro. Eu peço, em vão. Meus sentimentos já não existem mais. Eu lhe empurro, em vão. Você sempre foi mais forte que eu.

E, como eu sempre havia temido, suas asas enfim cedem ao seu esforço incansável de salvar uma pessoa já perdida, e eu volto a cair para o fim inevitável e monocromático da existência, mas, dessa vez, sentindo que eu levei uma pessoa inocente comigo, que acreditou que eu poderia mudar.

Salve-se e voe pra longe enquanto é tempo, pois eu não tenho mais solução senão cair pra sempre.

Quero sentir minha dor sumir.

Quero sentir minhas lágrimas abraçando meu rosto e escondendo a tristeza que ele amana.

Quero que o sangue que escorre pelo banheiro marque a porcelana delicada com vermelho insolente.

Quero que o aço da lâmina me castigue por ser uma pessoa tão horrível.

Quero que meu silêncio grite e que eu consiga, ao passar o resto da eternidade caído, enfim me levantar.

Quero sentir minha dor sumir.

O fogo é lindo.

A dança que ele faz ao se mover vacilante entre o vácuo.

Sua impiedosidade.Sua inocência.Sua petulância.

Ele marca o começo de tudo, - da racionalidade humana, da luz em meio a noite fria e isocromática, da esperança - e o final de tudo, sempre indiferente, sempre corroendo em chamas qualquer ser, orgânico ou inorgânico, em oxigênio derretido.

O fogo não teme. O fogo não escolhe. O fogo não julga.

Ele só queima.

Porque no final, todos nós merecemos ser queimados, não importando quem somos, quem fomos e quem seremos.